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A MORTA
Cap.I
A TIA CLARICE
Minha tia havia
chegado do interior, viera para ficar apena e tão somente sete dias...
Ela não era só minha tia, era
também mãe da minha irmã Angélica, foi o que nos disse.... Olhamos-nos
assustadas, por que até então não sabíamos de nada e éramos as únicas a não
saber do acordo feito entre as duas irmãs Minha tia Clarice e minha mãe Cora;
A
tia explicou que não estava quebrando o acordo, agora era tinha o direito de
falar, agradecia muito a irmã mas a filha dela a Angélica tinha que saber...
Eu e minha irmã ficavá-mos muito tempo no
nosso quarto com tia Clarice, lembro que
quando ela chegou chovia muito forte, minha mãe não estava, nem ela nem meu
pai, haviam viajado para resolver um assunto de adultos, foi a desculpa para
não nos levar, seriam só dez dias e a Jô tomaria conta da casa e de nós duas...
Que assuntos de família que criança não precisava saber? Inquiri minha mãe,
primeiro por que sou adolescente e não crianças a Angélica então era mais velha
que eu três anos... Poderia até já estar namorando... Não recebi resposta, mas
notei que ela havia chorado.
A tia
Clarice chegou bem a tempo de nos livrar da Jô, essa até desconfiou que não
havia tia nenhuma, por que não a tinha visto chegar, nem ouvira ninguém chamar
ou algum barulho sequer a não ser o do nosso rádio tocando música. A Jô era
terrível, não deixava passar nada, banho, escovação dos dentes e nos obrigava a
fazer todas as refeições, até ler um livro em plenas férias escolares...
Jô
ficara muito espantada quando falamos da tia...
- Ela também não deveria ter ido
resolver os negócios?
- Ela vai depois, foi Angélica
que falou, chegará dois... Três dias antes de a mamãe vir ela assinará a
papelada.
- Está bem, Jô resmungou, vou
levar a comida dela.
- Não Jô, nós levamos... Ela não
quer comer nada, a viagem fez mal ao seu estomago parece, mas prepara um mingau
de aveia e coloca umas frutas na bandeja... Ah! E um suco de pêssego.
Jô atendeu a contragosto.
- Onde já se viu não descer para
as refeições... Essas modernidades... Dessas moças modernas...
Quase falei que a tia não era
nenhuma mocinha, mas era moderna, tinha uns 30 anos mais ou menos e era
solteira, quem sabe não havia encontrado um príncipe, como minha mãe encontrara
meu pai?... Mas fiquei na minha... Moças somos nós... Ri internamente.
Cap.II
A CONFISSÃO
A tia Clarice não tocou na bandeja,
estava sem fome, indisposta... Ficou deitada, repousando. Todos os dias eu e
Ângela fazíamos a nossa leitura nos períodos de repouso da tia. No terceiro dia
a tia nos chamou para perto dela e falou com a Ângela a respeito da sua origem,
a adoção...
- Sou sua mãe, a verdadeira,
biológica... Mas Cora também... Foi ela que lhe criou desde que você nasceu!
Contou que engravidara e viera
tela ali em casa e a deixara para mamãe que fez o registro como se a tivesse
tido normalmente... Mamãe ainda não tinha
tido filhos, e foi depois de três anos que eu nasci.
Essa confissão caiu como um manto de água fria
em nossas jovens cabecinhas... Ângela começou a chorar abraçada a mim...
Não falava nada...
E a tia Clarice, conituara...
Depois do parto a doença que ela tinha se
intensificara, ela lutara contra o
câncer ... O câncer, por isso a
peruca, fora a quimioterapia que levara seus cabelos loiros e longos.
Nós já sabíamos a história da tia
doente... Coitadinha... Presa a uma cama...
Sete dias depois a tia Clarice
fora embora...
Ângela chorava abraçada comigo, ela era e sempre seria a minha
irmã...
Irmã e não prima...
A tia sumiu na neblina daquela
manhã fria, não olhou para trás... e parecia que a medida que caminhava a mala
da mão dela sumia...
Era a neblina, com certeza.
Dez dias se passaram desde a
viagem de meus pais e três dias da ida
da tia Ângela;
Cap.III
A VOLTA
Mamãe chegou e subiu para o nosso
quarto, foi logo abrindo as janelas e afastando as cortinas...
Estava com saudades e nos abraçou
uma a uma beijando e falando ao mesmo
tempo;
Depois respirou fundo e exclamou:
- Mas que cheiro é este?
- Cheiro? Foi a Ângela que falou.
- Sim, cheiro de flor. de....
De... Jasmim...
- Não sinto, eu forcei o olfato.
Ah! É o perfume da tia Clarice... Ela foi embora hoje cedo...
- Como? Mamãe quase gritou, e
gritou mesmo chamando meu pai.
- QUERIDO!
E virando-se para nós..
- Que história é essa... Quem
falou do perfume de jasmim de sua tia?
E gritou mais uma vez?
- JÔ!!!
Os dois a Jô e meu pai quase se
esbarraram subindo as escadas correndo.
- Jô, alguém esteve aqui? Minha
inquiriu a pobre Jô.
- Eu não vi D.Cora, mas as
meninas... Mas as meninas conversaram com uma tia que hospedaram aqui logo
depois que a Sra. e seu Gilberto viajaram.
- Como? Alguém fez uma
brincadeira de mau gosto...
- Gilberto, minha mãe estava
muito alterada e falava muito alto.
- Imagine às meninas passaram
dias com a tia e ela foi embora à três dias...
- Impossível.
Ele olhou para nós, perplexo
- Qual de vocês duas está
inventando isso?
Minha mãe tomou a frente...
- O que vocês conversaram?
- Ela, ela contou o segredo... O
segredo da Ângela... Eu falei num fio de
voz sumida.
Meus pais se entreolharam.
E meu pai falou com uma voz mais
calma e nossa conhecida.
- Bem meninas, realmente Ângela é
nossa querida filha do coração e sua irmã para sempre, como sempre foi...
Abraçou-nos por que nós chorávamos...
- Mas meninas não precisam inventar
histórias... Vocês leram no livro verde que está no escritório não foi?
- Não mamãe, nós não...
Minha mãe continuou...
-Nós... Nós viemos do funeral da
Clarice... Ela se foi... Levada pelo câncer que a atormentou todos esses anos,
ficamos l
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Data de Inclusão:
sábado, 6 de fevereiro de 2010