MARIA INÊS DOS (54), casada
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A MORTA
CONTO DE TERROR
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A MORTA
 
 
Cap.I
 
A TIA CLARICE
 
 
Minha tia havia chegado do interior, viera para ficar apena e tão somente sete dias... Ela não era só minha tia, era também mãe da minha irmã Angélica, foi o que nos disse.... Olhamos-nos assustadas, por que até então não sabíamos de nada e éramos as únicas a não saber do acordo feito entre as duas irmãs Minha tia Clarice e minha mãe Cora;
A tia explicou que não estava quebrando o acordo, agora era tinha o direito de falar, agradecia muito a irmã mas a filha dela a Angélica tinha que saber... Eu e minha irmã ficavá-mos muito tempo no nosso quarto com tia Clarice, lembro que quando ela chegou chovia muito forte, minha mãe não estava, nem ela nem meu pai, haviam viajado para resolver um assunto de adultos, foi a desculpa para não nos levar, seriam só dez dias e a Jô tomaria conta da casa e de nós duas... Que assuntos de família que criança não precisava saber? Inquiri minha mãe, primeiro por que sou adolescente e não crianças a Angélica então era mais velha que eu três anos... Poderia até já estar namorando... Não recebi resposta, mas notei que ela havia chorado.
A tia Clarice chegou bem a tempo de nos livrar da Jô, essa até desconfiou que não havia tia nenhuma, por que não a tinha visto chegar, nem ouvira ninguém chamar ou algum barulho sequer a não ser o do nosso rádio tocando música. A Jô era terrível, não deixava passar nada, banho, escovação dos dentes e nos obrigava a fazer todas as refeições, até ler um livro em plenas férias escolares...
Jô ficara muito espantada quando falamos da tia...
- Ela também não deveria ter ido resolver os negócios?
- Ela vai depois, foi Angélica que falou, chegará dois... Três dias antes de a mamãe vir ela assinará a papelada.
- Está bem, Jô resmungou, vou levar a comida dela.
- Não Jô, nós levamos... Ela não quer comer nada, a viagem fez mal ao seu estomago parece, mas prepara um mingau de aveia e coloca umas frutas na bandeja... Ah! E um suco de pêssego. Jô atendeu a contragosto.
- Onde já se viu não descer para as refeições... Essas modernidades... Dessas moças modernas... Quase falei que a tia não era nenhuma mocinha, mas era moderna, tinha uns 30 anos mais ou menos e era solteira, quem sabe não havia encontrado um príncipe, como minha mãe encontrara meu pai?... Mas fiquei na minha... Moças somos nós... Ri internamente.
 
Cap.II
 
 
A CONFISSÃO
 
 
A tia Clarice não tocou na bandeja, estava sem fome, indisposta... Ficou deitada, repousando. Todos os dias eu e Ângela fazíamos a nossa leitura nos períodos de repouso da tia. No terceiro dia a tia nos chamou para perto dela e falou com a Ângela a respeito da sua origem, a adoção...
- Sou sua mãe, a verdadeira, biológica... Mas Cora também... Foi ela que lhe criou desde que você nasceu!
Contou que engravidara e viera tela ali em casa e a deixara para mamãe que fez o registro como se a tivesse tido normalmente... Mamãe ainda não tinha tido filhos, e foi depois de três anos que eu nasci. Essa confissão caiu como um manto de água fria em nossas jovens cabecinhas... Ângela começou a chorar abraçada a mim... Não falava nada... E a tia Clarice, conituara... Depois do parto a doença que ela tinha se intensificara, ela lutara contra o câncer ... O câncer, por isso a peruca, fora a quimioterapia que levara seus cabelos loiros e longos. Nós já sabíamos a história da tia doente... Coitadinha... Presa a uma cama...
Sete dias depois a tia Clarice fora embora...
Ângela chorava abraçada comigo, ela era e sempre seria a minha irmã...
Irmã e não prima... A tia sumiu na neblina daquela manhã fria, não olhou para trás... e parecia que a medida que caminhava a mala da mão dela sumia...
Era a neblina, com certeza.
Dez dias se passaram desde a viagem de meus pais e três dias da ida da tia Ângela;
 
 
Cap.III
 
A VOLTA
 
 
Mamãe chegou e subiu para o nosso quarto, foi logo abrindo as janelas e afastando as cortinas... Estava com saudades e nos abraçou uma a uma beijando e falando ao mesmo tempo; Depois respirou fundo e exclamou:
- Mas que cheiro é este?
- Cheiro? Foi a Ângela que falou.
- Sim, cheiro de flor. de.... De... Jasmim...
- Não sinto, eu forcei o olfato. Ah! É o perfume da tia Clarice... Ela foi embora hoje cedo... - Como? Mamãe quase gritou, e gritou mesmo chamando meu pai.
- QUERIDO! E virando-se para nós..
- Que história é essa... Quem falou do perfume de jasmim de sua tia? E gritou mais uma vez?
- JÔ!!! Os dois a Jô e meu pai quase se esbarraram subindo as escadas correndo.
- Jô, alguém esteve aqui? Minha inquiriu a pobre Jô.
- Eu não vi D.Cora, mas as meninas... Mas as meninas conversaram com uma tia que hospedaram aqui logo depois que a Sra. e seu Gilberto viajaram.
- Como? Alguém fez uma brincadeira de mau gosto...
- Gilberto, minha mãe estava muito alterada e falava muito alto.
- Imagine às meninas passaram dias com a tia e ela foi embora à três dias... - Impossível. Ele olhou para nós, perplexo
- Qual de vocês duas está inventando isso? Minha mãe tomou a frente...
- O que vocês conversaram?
- Ela, ela contou o segredo... O segredo da Ângela... Eu falei num fio de voz sumida.
Meus pais se entreolharam. E meu pai falou com uma voz mais calma e nossa conhecida.
- Bem meninas, realmente Ângela é nossa querida filha do coração e sua irmã para sempre, como sempre foi... Abraçou-nos por que nós chorávamos...
- Mas meninas não precisam inventar histórias... Vocês leram no livro verde que está no escritório não foi?
- Não mamãe, nós não...
Minha mãe continuou...
-Nós... Nós viemos do funeral da Clarice... Ela se foi... Levada pelo câncer que a atormentou todos esses anos, ficamos l&#



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LIANA - (188)
ROMÂNTICO
Textos - Categoria: conto
21/2/2010
LIANA - (49)
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